Parte 1

Educação para Todos

O chão da aldeia ainda brilhava com poças de chuva, e o ar cheirava a terra molhada, a manhã nova. O céu estava meio cinzento, meio dourado, como se o Sol tivesse vergonha de aparecer por inteiro.

Anne caminhava devagar, arrastando as botas que já conheciam todos os buracos do caminho. Trazia o caderno junto ao peito, apertado como se fosse um tesouro. Era pequeno, de capa rasgada e folhas amareladas, mas lá dentro viviam todos os seus sonhos desenhados a lápis, escritos à pressa, como se o tempo fosse sempre pouco.

Todos os dias, sentava-se no mesmo muro, à beira da estrada. Dali via passar o autocarro da escola: amarelo, barulhento, cheio de vozes e risos que se perdiam ao vento. Anne sorria sempre, mesmo que ninguém a visse. Imaginava o som do giz no quadro, as histórias dos livros, o cheiro do recreio.

Mas o lugar dela era ali, entre o silêncio e o pó.

Nessa manhã, porém, algo quebrou a rotina. O som suave de uma campainha de bicicleta ecoou ao longe, aproximando-se depressa. Um homem parou mesmo à frente dela. Tinha as calças sujas de lama e o olhar cansado, mas sorria como quem traz boas notícias.

— Bom dia — disse, ainda a recuperar o fôlego. — Sabes se há por aqui uma menina chamada Anne?

Ela olhou desconfiada, mas respondeu baixinho:
— Sou eu.

O homem abriu a mochila e tirou de lá uma pequena caixa de madeira, com um símbolo gravado: um livro desenhado a azul, rodeado por estrelas.

— Então é a ti que procurava — disse com um brilho nos olhos. — Isto… é para ti.

Parte 2

 


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